No ultimo sábado, faleceu, aos 93 anos, uma mulher muito importante para a moda brasileira, a italiana Gabriella Pascolato, mãe da Costanza Pascolato.
Talvez, para algumas pessoas, o nome da filha, consultora de moda, seja mais forte do que o da mãe.
Porém, é importante conhecer um pouco da história desta mulher, precursora do mercado da moda no país.
De familia aristocrática, do tipo que a filha, quando criança brincava com Juanito, que se tornaria Juan Carlos, rei da Espanha, com o fim da Segunda Guerra Mundial, viu sua vida e de toda familia sofrer grande reviravolta. Foram parar em um campo de refugiados na Suíça, e de lá escolheram vir para o Brasil.
Aqui, em 1948 fundou uma fábrica de tecidos, a Santa Constância (Santaconstancia), que até hoje é uma das tecelagens mais importantes do país.

Sua vida mereceu uma biografia, Gabriella Pascolato - Santa Constância e Outras Histórias, do jornalista Sergio Ribas, no qual ela colaborou ativamente, narrando sua trajetória.

Sua vida mereceu uma biografia, Gabriella Pascolato - Santa Constância e Outras Histórias, do jornalista Sergio Ribas, no qual ela colaborou ativamente, narrando sua trajetória.
Com certeza, é interessante descobrir certas coisas, como a amizade com Emilio Pucci e Salvatore Ferragamo.
Inclusive, assim que se estabeleceu no Brasil, ela foi representante do sapateiro italiano na América do Sul, com muito sucesso. Porém, quando foram estabelecidas leis restringindo a importação de produtos de luxo no país, ela teve a visão de que haveria muita demanda para tecidos nobres por aqui, na produção de vestidos e dos modelos inspirados nos grandes nomes internacionais. Assim, surgiu a tecelagem que ela criou e na qual sempre trabalhou.
Para quem gosta de moda, ou mesmo de conhecer a história de mulheres marcantes, vale a pena descobrir como uma italiana que nunca trabalhara, chega a um novo país e, com muita garra, cria uma empresa que se mantem até hoje, e muda o cenário da moda brasileira.
Ao lembrar a vida e o livro sobre Gabriella Pascolato, também lembrei de um livro sobre uma das mulheres mais influentes na moda, Coco Chanel.
Mademoiselle Coco Chanel - Summer 62.
Mademoiselle Coco Chanel - Summer 62.

O livro com fotografias do canadense Douglas Kirkland, texto e concepção de Karl Lagerfeld, não apresenta simples fotos de Coco Chanel, no verão de 1962.

São retratos exclusivos de quem a acompanhou, diariamente, em Paris, no atelie na rue Chambon, em sua suíte no Hotel Ritz, e no backstage dos desfiles.

Através das lentes do fotógrafo é possível desvendar um pouco de sua vida e trabalho.

Chanel é um ícone, envolta de grandiosidade, responsável por tantas coisas que até hoje são sinonimos de elegancia.

Por isso, é tão bonito vê-la cercada por seus colaboradores, discutindo os modelos, no momento de criação.

São muitos os livros, séries e filmes contando sua trajetória, mas, eu realmente admiro a intimidade desvendada por fotografias.
Acho tão bonito ela simplesmente sorrindo, com seus trajes completamente impecáveis e com sua beleza única, e tão diferente da beleza de Audrey Tautou, que a interpretou no não mais recente filme de Anne Fontaine, Coco Antes de Chanel.
Para quem curte filmes sobre ela, o mais recente, em exibição nos cinemas é Coco Chanel & Igor Stravinsky.

E termino com essa foto, na qual ela me parece tão pequenina e ansiosa diante do desfile que acontece lá embaixo... quem assistiu algum filme que retrate a fase em seu atelie, deve reconhecer a cena dela sentada no alto da escadaria acompanhando o desfile e a reação das pessoas a cada modelo apresentado.
Torna tudo tão real e deixa o mito um pouco de lado.
Um VIVA a Gabriella Pascolato e Coco Chanel!